Existem atletas que competem contra o relógio e existem atletas que competem contra a próprios limites. Eliana Tamietti, nossa querida Lili, pertence ao segundo grupo. Embaixadora da SWIFT há mais de dois anos, Lili é uma veterana do cascalho e do asfalto, com um currículo que inclui provas de peso como o BikingMan 1000, Caminhos de Rosa e Gravel Loop; sendo também atleta do SWIFT Adventure Team.
Aos 48 anos, Lili chegou à Serra do Rio do Rastro para o BikingMan #555 carregando além de sua autossuficiência, mas também as dúvidas do início da menopausa, o medo da perda de potência e a ansiedade de quem se sentia, naquele momento, menor do que o desafio.
O BikingMan #555 não perdoa: sendo 500km com mais de 10.000 metros de altimetria acumulada, cruzando a imponente Serra do Rio Rastro sob condições extremas em até 55 horas.

Abaixo, Lili narra com suas próprias palavras a jornada de quem provou que a paixão é maior que qualquer incerteza da dificuldade.
O Início: A prova começa na mente, antes de qualquer Largada
"Comecei a temporada me sentindo um pouco negativa, sem estar muito bem da cabeça. Com o início da menopausa, a gente sente a perda de potência e comecei a achar que meu momento no esporte tinha passado. Na noite anterior à largada, não preguei o olho. A ansiedade me consumiu, o que é péssimo para uma prova onde você já se atravessa duas noites em claro.
Largamos na sexta, às 5h da manhã. Logo nos primeiros 20 km de terra pesada, com muita subida, eu já tinha ficado para trás. Quando entrei na Serra do Rio do Rastro, levei uma surra. O calor era algo que eu nunca tinha enfrentado antes; vi ambulâncias, gente tendo câimbra e desidratação por todos os lados. Mas a vantagem da ultradistância é que você aprende a lidar com sua mente. 'Não pensar nos outros, seguir o meu plano'.
Cheguei em Silveira por volta das 14h30, com quase 3.000 metros de altimetria já acumulados. Minha meta era ser rápida nas paradas: comer, hidratar e partir."

Testando a Autossuficência
"No final da tarde, convidei uma atleta e um colega para atravessarmos a noite juntos. Quando chegamos em Bom Jesus, pegamos um trecho de terra com pedras e descidas perigosas. No Rio Grande do Sul, a terra é difícil; exige atenção o tempo todo, não se descansa nem mesmo em descidas.
Chegamos ao PC1 às 21h30. Eu tinha o plano de seguir direto, mas minha companheira precisava dormir e sairia apenas às 2h. Pela primeira vez, decidi recalcular meu plano e descansar também. Dormi 1h30 e, às 2h40 da manhã, voltamos. Foi uma boa escolha: tinha chovido enquanto descansávamos.
Mas o amanhecer trouxe o barro. Meu para-lama, que deveria ajudar, acabou travando as rodas com a lama acumulada, somado ao clearence menor da bicicleta. Eu não conseguia empurrar nem carregar a bike. O desespero bate e é aí que você descobre que a criatividade pode ser a solução de muitos problemas. Encontrei outro ciclista na mesma situação, quebramos o para-barro e, com um pedaço de pau, íamos limpando a roda ao longo do percurso. Foram em média 4 horas para percorrer apenas 44 km."

A Caverna do Dragão e a Luta Contra o Sono
"Depois do PC2, minha companheira teve problemas mecânicos e, depois de 1h30 tentando ajudá-la sem sucesso, tive que tomar a difícil decisão de seguir meu caminho sem ela.
Entrei no trecho que apelidamos de 'Choquito', ou 'A Caverna do Dragão'. São 50 km de terra tão ruins que você sente que nunca mais vai sair de lá.

Saí de Bom Jesus às 18h30. Atravessei aquele trecho ermo e escuro em 7 horas de concentração absoluta. Cheguei em São Joaquim de madrugada, lutando contra um sono que eu nunca tinha sentido. Pedalava olhando para as valas e a vontade era deitar nelas e dormir, risos. Tomei cafeína - pela primeira vez em toda a prova – e tive um 'apagão' de 30 minutos numa conveniência que encontrei ao amanhecer do dia; comi um cup noodles e descobri – ao encontrar o diretor da prova - que, sem saber, eu estava disputando o pódio."
A Redenção na Serra
"Os últimos 50 km foram penosos, com o sol castigando. Mas quando cheguei ao pé da serra um grupo de ciclistas que acompanhava a prova e que sabia meu nome e começou a descer comigo. Eles me deram o apoio e o incentivo que faltava. Um organizador da prova passou, viu aquela cena e se emocionou, assim como eu. Ali eu entendi: o que eu estava fazendo não era 'qualquer coisa'; algo banal ou comum. Pedalar 500 quilômetros por 50 horas sem parar é um feito extraordinário. A gente acaba banalizando quando está no meio, mas ver as pessoas se inspirando em você é o momento em que você vê que tudo vale a pena."

A Lição de Lili
Lili finalizou a prova com a alma lavada e o reconhecimento de ser uma das poucas brasileiras e mulheres a encarar tamanha autossuficiência. Para ela, a ultradistância é uma metáfora da própria vida:
"Tudo o que se vive em uma vida acontece em 50 horas. Você resolve seus próprios problemas, enfrenta seus medos e tira coragem de onde nem sabia que tinha. Ultradistância não é para quem quer visibilidade, é para quem tem paixão verdadeira. Não tem menopausa, perda de potência ou idade que te faça menor; o que importa é a coragem de ir lá e cumprir. O 'porquê' você faz algo nunca pode morrer."

O que ainda vem por aí: A preparação de Lili não para.
Com planilhas de seu treinador, musculação voltada para performance e natação como descanso ativo, ela já mira o 555 Mantiqueira, o IncaDivide no Peru (o maior desafio de sua carreira) e o BikingMan 1000 km.

Lili Tamietti não apenas pedala; mas tambem abre os caminhos para todas as mulheres que acreditam que o topo da montanha ainda é o começo.
Parabenizamos Lili por tamanha força, coragem e ardor em se propor e cumprir seus desafios.
Lili, você nos inspira!

E isso ai mana. Segue seu sonho e continue pedalando por esse Brasil lindo afora e tb desbravando outros países. Como diz Buzz Lithtyear “para o alto e além” kkkk. Vamos que vamos. E nós família aguentando o falatório de bike kkkk. Vc e inspiração pra muitos. Orgulho de vc mana.
Muito obrigado pela oportunidade de estar junto em alguns momentos do caminho , esse prova foi demais !!! 🫶🏽
Parabéns Lili. Você é um grande exemplo. Faz as pessoas entenderem que todos podem ser o que quiserem ser.
Te admiro muito e tenho orgulho de fazer parte dessa jornada. 💜
Isso aqui não é só ciclismo… é mentalidade, resiliência e um nível de disciplina que pouca gente entende. Completar uma prova dessa em cerca de 50 horas não é sobre pedal, é sobre quem você se torna no processo. Orgulho demais de ter a Lili como atleta do Studio Panda. Isso é alto nível.
Essa é minha amiga! Lili me acolheu durante o tempo que morei em BH e me motivou para não desistir do pedal. Sempre com ótimos conselhos e quando podia, me levava nos seus treinos. Tenho 34 anos e achava que o tempo já tinha passado pra mim…mas ela me mostrou que podemos começar do zero em qualquer idade. Parabéns pela sua evolução minha amiga! Essa é uma prova de fogo! Você é incrível! Abraço!!