Não lembro exatamente como essa chave virou, mas pedalar para mim é realizar sonhos com as minhas próprias pernas, conectando rotas, pessoas, cidades e países.
É minha forma preferida de ver e escutar o mundo: no tempo da bicicleta.

Para fechar o meu melhor ano no esporte, 2024, como uma boa hiperativa pensei “ah, e se eu for de São Paulo para o Rio de Janeiro pedalando?”. Peguei a rota de um amigo, mandei o convite para outro grupo de amigos. De repente tínhamos data marcada.
Até então todas as minhas viagens tinham sido de gravel, mas esse trajeto era 100% de asfalto. E eu tinha comigo a melhor opção: uma bicicleta de road de endurance, a Univox Comp, por que não testá-la ao extremo? Uma bicicleta leve, de apenas 9kg, de carbono, com geometria de endurance, merecia ser testada em um bikepacking.
A previsão do tempo estava instável, então a única coisa que modifiquei foi colocar um pneu 40, mais rolado, para ter mais estabilidade com o peso e segurança no terreno molhado, além de, claro, a facilidade de trocar o pneu caso fosse necessário. Sim, eu uso tubeless, mas em viagens é sempre bom pensar em tudo.
No dia mundial da bike, a SWIFT me convida para contar essa história.
Bora conferir como foi essa aventura?
Dia 01 - Mogi das Cruzes~Paraty-Mirim
Saímos cedo de São Paulo de trem rumo a Mogi das Cruzes onde começamos a pedalar, o tempo estava bom, mas o dia prometia chuva e queríamos dar uma “paulada” na primeira perna, fazer 220km e praticamente toda a altimetria de uma vez só. Eu e Pedro estávamos treinadíssimos, pós-bikingman 1.000km e várias provas durante o ano.

Com poucos kms pedalados eu não sentia mais que tinha bagagem comigo, eu e a bicicleta éramos uma coisa só. Já tinha feito aquele trajeto antes e fomos, digamos que num ritmo bem forte, nos divertindo e aproveitando a performance de treino. Para uma viagem 100% de asfalto, estar com duas coroas e em uma bicicleta de road foi uma ótima escolha, confortável, veloz, me senti completamente encaixada na bicicleta.

Créditos de Fotografia: Danilo Lessa
Paramos bem pouco, um estilo que eu tenho e o Pedro também, o que é super importante para render melhor durante o dia. O Danilo seguiu conosco até Salesópolis, de onde voltou para São Paulo.

Nós seguimos bem até Ubatuba, onde fizemos uma parada estratégica antes de subir a serra de Paraty, já na iminência da chuva. O objetivo era, literalmente, correr (ou fugir) da chuva. Subimos a serra vendo o mar de longe e o anoitecer, chegamos na divisa (SP/RJ) ainda com alguma luz do dia. E depois a chuva começou e logo apertou. Paramos em Paraty-mirim, em uma pousada conhecida, já encharcados de chuva.

Dia 02 - Paraty~Mangaratiba
Não tivemos a mesma sorte, choveu a noite toda e amanheceu muita chuva. O asfalto com acostamento muito sujo, a visibilidade não estava tão boa e o dia não tinha previsão de estiagem. Seguimos em frente: não tínhamos outra opção.

A primeira parada do dia foi em menos de 10km, afinal, Paraty é uma cidade imperdível e precisávamos passar por lá. Demos apenas uma volta na cidade, tiramos fotos e já seguimos para nosso destino: a estrada:

Com a chuva, vieram certezas e problemas mecânicos.
A certeza foi do acerto na escolha do pneu 40, o erro foi a escolha de um pneu muito macio que não aguentou o acostamento sujo e iniciou uma série de sucessões de furos. Paramos para encher, fazer reparo no tubeless e nada. Tive que trocar e colocar câmara, tudo bem. Faz parte do jogo e de viagens.

Foi um dia muito mais longo do que esperávamos, até resolver trocar a câmara demorou. Perdemos tempo com isso, foi desgastante na chuva. Em que pese tudo isso, era o dia mais bonito, pedalar de Paraty, passando por Angra e chegando em Mangaratiba é algo de uma beleza inexplicável, ainda que debaixo de muita chuva. Claro que as fotos deixam a desejar pelas condições climáticas.


Chegamos no fim da tarde em Mangaratiba e não foi fácil achar lugar para ficar devido ao feriado. Mas conseguimos.
Dia 03 - Mangaratiba~Copacabana
O sol abriu. O dia prometeu ficar lindo, afinal, não teria forma melhor de encerrar esse ciclo, com amigos e com um sol pra cada um.

Foi um dia de sair um pouco mais tarde, aproveitar o resto da estrada, o trajeto era basicamente só descida até chegar no Rio. Logo que saímos eu perguntei pro Pedro sobre a família dele, que é do Rio, se eles sabiam, se estariam esperando ele. Ele disse que não, Eu convenci ele de ligar e contar, a família ficou em êxtase, ninguém acreditava que aquele feito era verdade. Foi emocionante de ver (ainda que fosse uma ligação). O Pedro completamente sem graça, como se tivesse ido de casa a padaria e a família sem acreditar no feito.

Créditos de Fotografia: Danilo Lessa
No caminho o Danilo encontrou a gente novamente para terminarmos juntos, ele saiu de São Paulo de ônibus e nos encontrou. Seguimos juntos, encontramos os amigos do Cascalho Carioca e terminamos o pedal em Copacabana.
Até a Tota foi pedalar comigo! risos

Seguimos juntos, encontramos os amigos do Cascalho Carioca e terminamos o pedal em Copacabana.
Ah, e depois foi só curtir o final de semana de pedal e a semana seguinte de muito trabalho com uma agenda cheia no Rio de Janeiro e Niterói. Consegui mandar meu notebook e roupas de avião com um amigo que estava em SP e ia pro Rio (valeu Gabo!)

Créditos de Fotografia: Danilo Lessa
Até as próximas aventuras!
Link da atividade no strava: https://www.strava.com/activities/12936488924
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