Rubinho Valeriano: A estratégia por trás de ser o melhor do mundo. – Sense Bike Skip to content

Rubinho Valeriano: A estratégia por trás de ser o melhor do mundo.

Para um atleta com a experiência de Rubinho Valeriano, o desafio de buscar um título internacional começa muito antes do grid de largada. O atleta master de XCO viajou até Nevada del Chile...

Para um atleta com a experiência de Rubinho Valeriano, o desafio de buscar um título internacional começa muito antes do grid de largada. O atleta master de XCO viajou até Nevada del Chile para a defesa do título de campeão mundial, em busca do BI com um plano claro: unir técnica, paciência e uma leitura minuciosa de seus adversários. 

Abaixo, Rubinho relata os bastidores de mais uma conquista histórica para o Brasil e para a equipe Sense. 

A preparação: a bike como terapia.

"A viagem até o Chile foi tranquila. Pousamos em Santiago e viajamos quase 500 km até Nevada del Chile. Chegamos e a primeira coisa foi montar a bike. Para mim, isso é uma terapia; ajuda a tirar a pressão da cabeça. Revisar disco de freio, câmbio, pneus, altura de selim e guidão... tudo isso me ajuda a não focar na ansiedade da prova. 

No segundo dia, fui fazer o reconhecimento. A pista era muito exigente e senti a adrenalina logo na primeira volta. Já no dia seguinte, eu conseguia enxergar bem as linhas e estudei minhas táticas. Tinha uma subida bem dura e uma descida muito técnica, onde achei uma linha específica para abrir vantagem contra os adversários." 

A "competição" antes mesmo da largada.

"Foi engraçado, porque apareceu um argentino que tinha subido para a minha categoria. Eu ainda não tinha corrido com ele, nem no PanAnamericano nem no Mundial do ano passado. Percebi pelo Strava que eu estava fazendo voltas rápidas e comecei a estudar suas análises. Na quinta-feira, eu fiz um treino de volta rápida para tentar o KOM (tempo mais rápido do percurso) e consegui baixar 8 segundos. 

Na sexta-feira, ele foi lá e baixou o meu tempo em 4 segundos, o que acabou virando uma "competição" antes mesmo da prova (risos). Fiquei apreensivo e comecei a analisar o treino dele para entender onde estavam os pontos de ataque.  

No sábado, véspera da prova, já não podíamos mais utilizar a pista então fui fazer meu treino de asfalto para rodar as pernas. Nos cruzamos na estrada, nos cumprimentamos. Fiz um treino de um hora e fui tentar descansar para o dia seguinte e fazer o checkout final da bike para nada dar errado." 

O jogo de xadrez: o que tem por trás de uma vitória?

"No alinhamento do grid, reencontrei o espanhol que me deu muito trabalho no Mundial do último ano, além do argentino. Minha concentração era total.  

Tracei três estratégias, onde a primeira era fazer uma volta forte, entrar na roda dele e estudar onde ele estava errando ou indo mais rápido. Larguei bem, em primeiro, mas na segunda volta o argentino não quis me ultrapassar de jeito nenhum. Eu abria caminho, fazia sinal para eu passar, mas ele não ia. 

Parti para a segunda estratégia: colocar um ritmo constante, sem dar 100%, para tentar abrir vantagem na quarta ou quinta volta. Ele passou a terceira e a quarta volta colado na minha roda. E aí que eu observei o detalhe: tanto na descida quanto na subida, ele estava muito ofegante atrás de mim. Se eu abria uns 4 segundos nas partes de subidas, ele me alcançava no plano, mas percebia que sempre muito ofegante nessas partes. Eu, por outro lado, conseguia recuperar o batimento na descida e colocar força no plano. 

Quando entendi onde ele estava mais cansado, planejei o ataque. Na quarta volta, coloquei 100% de força e abri uma boa vantagem. Na quinta volta, tirei um pouco o pé para recuperar e, nos pontos onde eu sabia que poderia ser mais rápido, acelerava de novo." 

O caminho da largada e as "pedras"do caminho.

"Abri a última volta com cerca de 40 segundos de vantagem e administrei; entendi que estava bem, mas muito atento para atacar caso fosse preciso. Mas, faltando 1 km para a chegada, encontrei um atleta retardatário que não quis abrir caminho. Tive que sair da linha principal para conseguir passar. 

Faltando apenas 500 metros, logo após uma curva, me deparei com um tronco no meio da pista — eu tinha feito seis voltas e aquele tronco não estava lá. Saltei no susto e não tirei o pé. E é por isso que em competição temos que estar atentos o tempo todo; a gente se arrisca, mas precisa ser de forma consciente. Saltando o tronco, avistei a linha de chegada e venci com 8 segundos de vantagem." 

O Bicampeão do mundo é brasileiro.

"Experiência, técnica e leitura da pista contribuíram para essa vitória, que tenho o orgulho de trazer para o Brasil e para a Sense. Fico muito feliz com esse bicampeonato mundial.  

Ter mais de uma estratégia guardada é essencial, porque a prova sempre traz surpresas; o problema é ficar sem saber o que fazer. É preciso ter planos para serem aplicados e testados no ao vivo. 

Agradeço a todos por sempre terem acreditado em mim, no meu sonho e no meu talento. O ano está apenas começando!" 

O reconhecimento de uma lenda. 

Para a Sense, a vitória de Rubinho Valeriano no Chile é mais do que a conquista de uma medalha; é a reafirmação de um legado. Rubinho representa a essência do que buscamos no esporte: a precisão técnica aliada à resiliência mental. Ele é a prova viva de que o tempo não é um adversário, mas um aliado para quem sabe usá-lo com sabedoria. 

Rubinho carrega consigo a "experiência de quem nunca se cansa de conquistar". Cada pódio é fruto de um trabalho que não para nunca . 

E a temporada ainda reserva muitas emoções. O bicampeão mundial já está com a bicicleta prontapara as próximas grandes disputas de 2026, agora com a jersey de bicampeão: 

  • Copa Internacional de Mountain Bike; 
  • Campeonato Brasileiro; 
  • Pan-Americano de XCM. 

Seguimos com orgulho ao lado do nosso campeão em cada pedalada rumo ao topo. 

Leave a comment

Your email address will not be published..

Cart

Your cart is currently empty.

Start Shopping

Select options