Dia internacional do ciclista: o futuro é sobre duas rodas e precisamo – Sense Bike Skip to content

Dia internacional do ciclista: o futuro é sobre duas rodas e precisamos começar pelas cidade

Paris era uma cidade cheia de carros, como tantas outras no mundo. Amsterdã também foi assim, Bogotá, Fortaleza, Niterói e até mesmo São Paulo. O que essas cidades têm/tiveram em...

Paris era uma cidade cheia de carros, como tantas outras no mundo. Amsterdã também foi assim, Bogotá, Fortaleza, Niterói e até mesmo São Paulo. O que essas cidades têm/tiveram em comum? Sociedade civil organizada forte e um poder público comprometido com a mobilidade ativa.

Quando aprendemos a andar de bicicleta? Na infância, correto? Imaginem não ter espaço seguro para ensinar nossas crianças a andarem de bicicleta? É a realidade da maioria das cidades brasileiras. Iniciativas como “bike anjo” (ong que ensina as pessoas a andarem de bicicleta) e “bike bus” (grupo de pessoas que levam crianças de bicicleta para escola), além de, claro, a existência de infraestrutura cicloviária nas cidades, mudam o jogo.

Para que o esporte cresça é necessário existir condições adequadas para que todos realizem suas locomoções em segurança. Ainda que o crescimento das cidades brasileiras tenha sido tímido em relação às outras cidades ao redor do mundo, das quais gosto sempre de citar Bogotá para trazer uma referência na América Latina.

Bogotá com crescimento de 335.000 ciclistas em março 2020 para 665.000 ciclistas em fevereiro de 2021, segundo dados do ITDP, 2022* e São Paulo registrou aumento de 25% dos deslocamentos de bicicleta na pesquisa Origem e Destino de 2018-2023. Hoje em São Paulo enfrentamos trânsito nas ciclovias. Crianças, adultos, idosos, entregadores, ciclistas de road, de mtb, gravel, fixa e por aí vai: todos juntos em um lugar seguro.

Trazendo dados mundiais e utilizando os dados de 2023 do Strava como base, seguem o crescimento do registro do uso da bicicleta em algumas cidades do mundo que se destacaram tendo como base o ano de 2022:


*COELHO, Helena Carvalho, et al. Guia de Mobilidade Humana. organização Centro de Estudos das Cidades - Laboratório Arq.Futuro do Insper]. São Paulo : BEI Editora, 2024. p.17


[....] O que essas metrópoles têm em comum? O aumento crescente do investimento na infraestrutura cicloviária. E para que mais cidades possam avançar e implementar a mobilidade ativa, selecionamos a seguir uma série de medidas estratégicas que devem ser adotadas:

a. Priorização de ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas próximas às estações de transporte público (ônibus, metrô, balsa etc.);

b. Ampliação e melhoramento de calçadas;

c. Criação de estações de compartilhamento de bicicleta próximas às estações de transporte público;

d. Criação de bicicletários seguros próximos às estações de transporte público;

e. Criação e ampliação de espaços e horários para permissão de bicicletas em transportes públicos;

f. Disponibilização de bicicletas compartilhadas em periferias, priorizando a conexão multimodal com estações de transporte público;

g. Criação e ampliação de ciclofaixas de lazer;

h. Criação de bicicletários em escolas e conexão de infraestrutura cicloviária às principais vias e à rede de transporte público;

i. Ampliação de ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas, priorizando áreas periféricas;

j. Implantação de rotas diretas e bem conectadas. [

COELHO, Helena Carvalho, et al. Guia de Mobilidade Humana. organização Centro de Estudos das Cidades - Laboratório Arq.Futuro do Insper]. São Paulo : BEI Editora, 2024. p.18]

 

Construa infraestrutura e os ciclistas virão.

Tenho duas paixões na vida: o ultraciclismo e a mobilidade urbana. Gosto de “brincar” de conectar cidades pedalando, já fiz sozinha Belo Horizonte-Vitória, já pedalei São Paulo-Rio de Janeiro, mais de 1.500km no Rio de Janeiro, tantos e tantos quilômetros em São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e até mesmo no Chile. 

O que sempre observo e penso nos caminhos é sobre a infraestrutura cicloviária, sobre os ciclistas “invisíveis” (aqueles que se deslocam quilômetros e quilômetros no dia a dia e quase ninguém nota) e sobre as linhas de desejo (onde os ciclistas realmente passam independente da infraestrutura). Sonho por cidades mais conectadas, humanas e mais justas. Acredito que o esporte é o elo necessário para que a mobilidade cresça e o ciclismo se transforme em uma paixão nacional. Esporte e mobilidade, juntos, de mãos dadas para o crescimento do ciclismo no Brasil, desde a infância ao atleta profissional.

Há sim muito a se comemorar, mas temos muito trabalho pela frente.

Vamos juntos construir a base para que o ciclismo seja uma paixão nacional?

O caminho começa transformando as nossas cidades.

 

Helena Coelho é ciclista de longa distância de gravel e road, usa a bicicleta como principal modo de locomoção, advogada, mestre e doutora em Direito Ambiental e Urbanístico pela UFMG, onde estudou conexão intermodal (bicicleta, ônibus, metrô e barca) na sua tese de doutorado. É consultora em mobilidade urbana. Foi coordenadora executiva do núcleo de mobilidade urbana do Insper durante 2 anos.

 

 

 

_____________________________________________________________________________

* FONTES

https://itdp.org/wp-content/uploads/2023/05/From-Transmilenio-to-Cycle-Networks-Lessons-Learned-from-Bogotas-Comprehensive-Urban-Mobility-Planning-MAY4.pdf?utm_source=chatgpt.com

 

2 comments on Dia internacional do ciclista: o futuro é sobre duas rodas e precisamos começar pelas cidade
  • Heloisa Carvalho
    Heloisa CarvalhoApril 15, 2026

    O corpo foi feito para se mover. Fica melhor quando estendemos este corpo à uma máquina que o transporta onde “o combustível é o feijão com arroz”. Nada melhor e mais emocionante do que a bicicleta que também nos traz a sensação de liberdade .
    Fica ótimo quando as políticas dos governos investem na segurança, na logística, na infraestrutura garantindo este incrível direito.

  • João Bomfim
    João BomfimApril 15, 2026

    Ótimo texto!! Os dados do ITDP deixam claro que não há achismo: organização popular e investimento público são os pilares do crescimento da bicicleta como meio de transporte, e não o contrário.
    Há um ponto que acho essencial e que o artigo toca bem: antes do esporte, existe o ciclista que pedalou até a padaria. É aí que a bicicleta entra na vida de alguém de verdade e é assim que ela se propaga no entorno social de cada pessoa.
    Parafraseando Galeano: não basta sonhar com Copenhagues e Amsterdãs (apesar de achar que sim são ótimos exemplos do que fazer no Brasil), mas com cidades que caibam nas nossas veias abertas latinas, com suas pessoas, suas distâncias e seus modos próprios de se mover.

    Parabéns Sense por abrir espaço para esta discussão que ainda é rasa na indústria e comércio brasileiro.
    Parabéns Helena pela contribuição prática e teórica da mobilidade urbana no Brasil.

Leave a comment

Your email address will not be published..

Cart

Your cart is currently empty.

Start Shopping

Select options