Aos 48 anos, Vinícius da Jacinta — ciclista de ultradistância e fundador do Swift Adventure Team — tem os últimos cinco anos dedicados ao circuito mundial do BikingMan, campeonato do qual é embaixador. Depois de várias provas pelo Brasil e pelo mundo, o foco principal de 2026 virou o IncaDivide, no Peru.
A prova é uma das etapas mais duras do ultraciclismo mundial: 1.200 km com 24.000 metros de altimetria acumulada, sem paradas obrigatórias (non-stop) e totalmente autossuficiente. Sem apoio externo, você resolve sua logística, sua comida e sua mecânica para carimbar os postos de controle dentro do tempo limite.
"Vai ser a prova mais difícil da minha vida."
Para preparar o corpo para o ar rarefeito e o volume de subidas, Vinícius decidiu viajar com quartenta dias de antecedência antes rumo à Colômbia, país referência em cultura ciclística e montanhas, com o objetivo claro de treinar exposto à altitude real.
Nessa série de blogs compartilharemos a jornada do graveleiro que será divida em três partes:
- Uma cicloviagem, Medelin > Bogotá;
- Uma prova, Inca Divide - Peru // BikingMan (principal foco e destaque);
- Uma cicloviagem, Cusco > Bolivia.
Isso é um convite para imergir nos caminhos e experiência que só a bike consegue proporcionar à vida.
A base em Medellín e a logística da viagem
A viagem começou por Medellín, uma cidade que superou o histórico de violência dos anos 1990 através de urbanismo social, transporte público e ciclovias. Conhecer a cidade pedalando era um desejo antigo do nosso ciclista.
Por duas semanas, Vinícius preparou as coisas para a expedição e subiu quase todos os dias a Las Palmas, a subida mais famosa de Medellín.
"Queria conhecer a vida de uma cidade erguida na montanha."

A rotina diária revelou uma cultura de respeito muito forte: a própria cidade cerca faixas com cones para proteger quem treina nas subidas, dividindo espaço com centenas de ciclistas e atletas locais.
Para a cicloviagem até Bogotá, havia um desafio logístico: como o equipamento completo de acampamento (barraca, saco de dormir e isolante) só seria usado mais adiante no Peru, Vinícius despachou essa bagagem por correio direto para Bogotá — uma estratégia comum no cicloturismo — e partiu apenas com o essencial na sua Swift Univox.

Primeiro dia: Medellín a La Pintada
A saída de Medellín foi numa quarta-feira de chuva e frio. Sem conhecer as estradas, os acostamentos ou o comportamento do trânsito local, a primeira hora se fez tensa até Vinicius sair da região metropolitana.
Passado o trecho urbano, o tempo abriu, a rodovia ofereceu bom acostamento e a pedalada engrenou com aquela sensação clássica de autonomia na estrada. Pouco mais de 100 kms até La Pintada, cidadezinha rural que dá entrada à região cafeeira. Passou noite simples com hospedagem barata, comida e roupa lavada pronta (o bingo de sorte do cicloviajante).
Segundo dia: Rumo a Manizales
Saindo de La Pintada, o relevo começa com as primeiras serras longas. Vinicus entra em um túnel longo e só depois percebeu que o acesso era proibido para bicicletas. Um susto que se resolveu sem problemas e, ao sair do outro lado, a estrada abriu para uma vista impressionante no alto da montanha, com quilômetros de descida aberta.
"Foi um momento de encontro, mais um encontro. Eu e a bicicleta."
O dia terminou com a chegada a Manizales, no departamento de Caldas. Sabendo do grande esforço que viria na sequência dos próximos quilometros, a decisão foi descansar por dois dias na cidade.

A subida do Alto de Letras e os Páramos
Após o descanso, a saída de Manizales foi de manhã cedo rumo ao Parque Nacional. Logo no início houve uma parada rápida em uma das tradicionais barraquinhas de apoio a ciclistas na beira da estrada e pela frente, 45 km ininterruptos de subida, cerca de quatro horas pedalando morro acima.
Conforme a altitude aumentava, o visual mudou completamente, dando lugar aos páramos — vegetação típica de altitude na Colômbia, onde o corpo sente então o peso do ar rarefeito acima dos 3.500 e 4.000 metros.
No topo do mítico Alto de Letras, Viniicus descreve a placa coberta por adesivos de ciclistas do mundo inteiro marcou o ponto alto da aclimatação. De lá, o ciclista seguiu até a portaria do Parque Nacional Natural Los Nevados, onde conseguiu avistar de longe a imponência do vulcão ativo Nevado del Ruiz.
O trecho seguinte foi uma das descidas mais marcantes até a cidade de Murillo, um vilarejo tradicional que preserva a cultura camponesa local:
"Uma das estradas mais bonitas da vida, uma vegetação maravilhosa que nunca tinha visto. Me senti maravilhado observando tudo, embasbacado com tudo que tinha vivido."
Chegada em Bogotá e o balanço na Univox
Depois pernoitar em Murillo, o trajeto foi concluído até a chegada em Bogotá.
Ao todo, 530 km percorridos em 4 dias de pedal (6 dias somando os descansos estratégicos), cruzando o coração das cordilheiras colombianas.
"Cheguei com o coração colombiano. Fui muito marcado pela amabilidade das pessoas com os ciclistas, encontrei muita empatia no caminho — todos querem saber de onde você veio, por onde passou e para onde vai. Isso é mágico."

Em relato final Vinicius destaca todo o percurso onde a Swift Univox foi a parceira de jornada, respondendo com estabilidade e conforto nas longas horas sobre o selim:
"Uma bike que eu consigo ficar o dia inteiro em cima dela pedalando, e ao mesmo tempo uma bike muito confiável. São muitos anos pedalando com essa bike e é uma conexão grande. Muito feliz de ter praticamente cruzado o país com ela."
Lendo aqui e revisitando cada momento que acompanhei seguindo o Vinícius no instagram. Muito obrigado por compartilhar tanto com a gente, Vini. Muito bom conhecer a América Latina através dos seus olhos!