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Que lindo, Enzo já está pedalando! De rodinha? Precisamos conversar

Bicicleta de rodinha? O que é mais importante treinar: o equilíbrio ou a pedalada?

A bicicleta pode ser usada como um brinquedo, uma ferramenta, um meio de transporte e ter infinitas utilidades na mão de uma criança. Acontece que, independente do uso, trago notícias ruins para quem está aprendendo a pedalar com o auxílio das rodinhas: em nenhuma situação este caminho é bom.

 

Não gosto de ser o “ciclista raiz”, que nega acessórios que facilitam a nossa vida, tentando manter o discurso da brutalidade e que só existe mérito no meio da precariedade. Na verdade, se eu estivesse tentando manter o discurso “old school” ou continuar a utilizar os mesmos equipamentos da década de 90, eu teria que defender as rodinhas, pois eu mesmo as utilizei quando dei as minhas primeiras pedaladas. Mas hoje sou contra elas.

Defender o fim das rodinhas é na verdade aderir à um novo movimento que rompe com aquilo que foi feito durante muitos anos. É um discurso inovador e por isso muitas pessoas ainda o desconhecem.

Como podem as famosas rodinhas, tão amadas pelas crianças e os papais, oferecerem algum malefício para o jovem ciclista? Elas o auxiliam a se equilibrar e evitam tombos! Como isso pode ser ruim? Te explico.

Quem já viu esse equipamento feito para bebês se equilibrarem quando estão aprendendo a andar?

 

O andador passou a sofrer fortes críticas por parte de pediatras. É verdade que nele a criança vai se equilibrar mais cedo e dar os primeiros passos com mais facilidade, porém, não vai aprender os princípios da física – retraindo qualquer desenvolvimento de seu equilíbrio. Em resumo, quando ele sair do andador, vai achar estranho ter que caminhar sem uma força mágica tomando conta de seu equilíbrio.

Cair ao tentar aprender a andar não é uma tragédia e não gera trauma algum. É um aprendizado e isso desenvolve o seu senso de equilíbrio.

Precisamos pensar da mesma forma na hora de aprender a pedalar.

 

Quando a criança sobe na bicicleta e, misteriosamente uma força faz com que ele seja “carregado” lateralmente, evitando uma queda, o ciclista mirim não entende o princípio de se equilibrar na bike.

É comum ouvir argumentos leigos que dizem “Mas só no começo a rodinha é saudável, só enquanto ele ainda não aprendeu”

Com a rodinha ele não vai aprender nunca. Ou melhor, só vai aprender quando o pai tiver a coragem de tirar as rodinhas. E neste momento da alforria dos suportes laterais mágicos, o pequeno Enzo precisa “desaprender” todos os conceitos de física que ele tinha desenvolvido até ali. Acaba sendo um aprendizado mais demorado e confuso.

 

Muito mais certo seria ter “forçado” esse aprendizado no primeiro contato com a bicicleta.

No fundo, os adultos criam o seguinte equívoco: pensam que tal desenvolvimento do equilíbrio e leis da física são muito complexos para os pequenos. Bobagem. Chega a ser instintivo se equilibrar nas duas rodas.

Na verdade, se equilibrar na bicicleta tem complexidade similar à de dar os primeiros passos.

O mais complicado e novo para os pequenos tem outro nome: Pedal.

Manter os pés no pedal e fazer um movimento circular, cíclico, repetitivo, constante e com a posição espelhada das pernas, isso sim é um exercício que a criança demora um pouco mais para compreender. Nada demais, mas é algo “menos natural” do que se equilibrar.

Por isso precisamos colocar a seguinte ordem de aprendizado: primeiro aprender a equilibrar, depois vem o aprendizado de pedalar.

Daí vem a proposta de eliminar as rodinhas e também os pedais: deixem as crianças fazerem o exercício do equilíbrio naturalmente, privando-os temporariamente de dar as primeiras pedaladas.

É por este motivo que as famosas “Bikes sem pedal” são chamadas de “Bikes de equilíbrio” (ou Balance bike)

 

Sim, você pode tirar o pedivela e demais sistemas de engrenagem para o seu filho dar os primeiros passos em uma bike de equilíbrio improvisada. É uma gambiarra plausível, desde que os pés dele alcancem o chão, sem esbarrar no quadro.

As bikes que já são comercializadas sem pedal possuem um tamanho de quadro próprio para os pés ficarem bem acessíveis ao chão, assim como possuem detalhes que permitem que as pernas se movimentem com mais facilidade para dar passos largos.

Outros itens deixam as balance bikes mais seguras, como proteções de espuma, manoplas mais finas e um apoio para os pés, para os momentos em que o pequeno ciclista consegue atingir uma velocidade um pouco mais alta e pode descansar as pernas, desenvolvendo ainda mais o seu equilíbrio.

 

 

E pior do que fazer a criança aprender a pedalar com rodinhas para depois passarem pelo doloroso “re-aprendizado” de tirar as rodinhas, existe um erro ainda pior.

Alguns pais cometem o equívoco de pensarem que a balance bike é uma bicicleta para garotos muito novos e, quando eles ficam grandinhos, devem migrar para uma bike com pedais e... rodinhas!

Não! Por favor, não permitam que isso aconteça!

A criança que já aprendeu a andar na bicicleta de equilíbrio está pronta para se equilibrar sem rodinhas quando migrar para uma bike maior e com pedais!

Vai haver certa dificuldade em acostumar com os pedivelas e pedais, mas seu equilíbrio estará devidamente treinado.

 

Portanto, deixo aqui bem resumido: rodinhas não são bem vindas antes, nem durante, nem depois do aprendizado.

Pode ser que uma criança com dificuldade motora ou deficiência precise sim do auxílio das rodinhas, as situações são infinitas e devem ser avaliadas caso a caso.

Mas lembrem-se que, via de regra, o aprendizado com rodinhas foi substituído pelos naturais passos largos das balance bikes.

Para deixa-los inspirados, deixo aqui dois vídeos clássicos, que são do mesmo garoto, Jackson Goldstone. O primeiro vídeo é de quando ele viralizava em sua balance bike, em aos 3 anos de idade:

 

Abaixo, o mesmo garoto alguns anos depois, vencendo o Red Bull Hardline, uma prova de Downhill extremo

1 comment on Que lindo, Enzo já está pedalando! De rodinha? Precisamos conversar
  • Otávio Prego
    Otávio Prego April 30, 2024

    Excelente conteúdo, concordo e assino embaixo! Minha filha começou no mundo ciclístico com uma balance bike Grom 12, que logicamente no começo (1 ano de idade) ela não entendia direito, mas após entender e começar os primeiros passos rumo ao equilíbrio, tudo foi evoluindo naturalmente! É incrível como ela se desenvolveu ao entender que a bike lhe proporcionava muito mais velocidade com as passadas rápidas e entre um passo e outro o equilíbrio “surgiu”, um caminho sem volta. Recentemente no natal de 2023 decidimos que estava na hora do seu primeiro upgrade, e partimos para a Grom 16, e acreditem, no mesmo dia (25/12) após o seu primeiro contato com uma bike maior, com freios e agora com pedal, agora com 3 anos e 9 meses ela já pedalou num trecho plano, depois foi aprendendo o movimento cíclico dos pedais, aplicar força para que a bike se movimente, e agora já está super familiarizada com as novidades do pedal e freio.
    Realmente é o melhor e mais emocionante caminho de desenvolvimento para as crianças o qual relato tudo no meu Instagram. #BreakingLimits

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